terça-feira, 17 de novembro de 2009

CACHAÇA




fazia tempo que eu não postava um conto... então...



Cachaça



— Manda uma branca homem!
— Da qual?
— ... daquela!
O bar solitário delatava a minha exclusão de tudo o que era certo. A hora era de sofreguidão anônima em balcões e escritórios. Grandes heróis padeciam agonias indecifráveis naquela hora, e eu ali, na mesa empoeirada do bar do Benedito, um digno representante dos afro-brasileiros, de barba mal feita e camiseta encardida, com um furo do lado do imenso umbigo.
Qual a hora? Duas da tarde? Quatro? É indiferente. É indiferente pra quem está excluído do ritmo frenético das horas. Há tantos vagabundos disfarçados: apostadores, corretores de sonhos e mentirosos de todos os tipos, de políticos a santos homens. Porém, estes não são excluídos como eu, um vagabundo confesso aqui, no bar do Benedito, que trouxe solene até à mesa uma branca e ardente água maldita, bendita entre as águas: o Benedito vende benditas águas brancas... e amarelas também.
Deitou-a sobre a mesa. Um pedaço de ilusão. Ainda deixou cair uma gota pela borda do copo, daqueles de fundo alto e estreito, só pra me dar vontade de lamber a mesa, se não fosse a poeira, é claro, e as marcas de tantos desatinos que já foram ali vomitados.
Cheirei seu perfume de longe e um tremor me percorreu dos pés à cabeça. Cheguei perto, mas sem tocá-la, como se a sua limpidez fosse um atestado de pureza. A vi como uma virgem tomada de pudores ao meu olhar nefasto, mas uma virgem farta de sua própria pureza, e que não corou quando eu cheguei mais perto e respirei o perfume doce do seu ombro, ou quando escorreguei meu nariz na sua pele. Ah! Ela não corou, tampouco empalideceu. E quando minha língua, mais ardente que sua alma, tocou de leve seu lábio, mil demônios saltaram do seu seio. Ainda ouvi seu gemido de prazer, e senti suas mãos me agarrarem pelos cabelos. Passou suas pernas ao redor do meu rosto e esfregou-se em minha boca, morna, molhada...
Qual mortal resistiria? Traguei-a como devia...
— Ô Benedito! Manda mais uma dessas...
— E o bolso, dá pra pagar?
— Que foi homem? Alguma vez não paguei conta de cachaça?
Tive a impressão que sentia o cheiro do pano que o Benedito carregava nos ombros. Acho que o mesmo desde que abriu o bar faz alguns anos, e sem lavar.
Chegaram o Amarildo e o Barbosa, dois bêbados de classe. Tipos de bêbados perigosos. Beberam rápido uma amarelinha cada um. O Barbosa torceu o nariz e fechou o olho direito, se apoiando no balcão:
— Aaaannnnhhh!
Enquanto o Amarildo lambia o beiço com uma assustadora serenidade: mão no bolso e nariz altivo. Ficaram olhando seus copos vazios por alguns segundos e dava pra ver o turbilhão que se agitava em suas almas. Olharam-se com uma cumplicidade que dava vontade de chamar a polícia. Fiquei na torcida. Se tivesse alguém comigo apostaria dez mangos que eles pediam mais uma. Foi um momento mágico. Era como se tudo tivesse ficado extático, esperando a decisão: pararam os carros da rua e os pedestres se voltaram para o bar. Porra! Será que o Benedito topa apostar? Mas daí o Barbosa sorriu e bateu nas costas do Amarildo. Covardes! Saíram abraçados como dois irmãos. Nem se importaram com a grande decepção que causaram, não apenas em mim, mas em todos, e no Benedito, principalmente.
Olhei para minha mesa e fiquei enojado: o Benedito virou mais um pouco pra fora do copo. Caralho! Uma roda de cachaça na mesa, da mais pura e digna cachaça de toda cidade, vinda lá do sul de minas, de Luis Alves e de Santo Amaro da Imperatriz (que belo santo!... ou essa imperatriz gostava de um pileque). Nisso o negão, ou melhor, meu querido grande descendente afro-brasileiro, caprichava. Podia não lavar o pano de prato do ombro, mas a cana era de cachaceiro especializado, com mestrado e doutorado na arte de criar bêbados.
Eu ainda tava com medo do que a branca tinha feito comigo no primeiro copo. Quase tive um orgasmo ali mesmo, na mesa do bar, por isso, pra não dar vexame com uma ereção em lugar público, bebi rápido, num gole só.
— Tá muito ligeiro homem! Pra que a pressa? Ainda nem é...
— Não me fale a hora, seu metido! Quem manda na minha vida sou eu! Gritei, me levantando e quase pulando por cima do balcão.
— E quem vende a cachaça aqui sou eu! — falou o Benedito, com sua calma de trinta anos de barriga calejada por balcões do Brasil inteiro.
Confesso que falou tão manso que não pude contestar. Ele tinha a maior das razões que eu podia imaginar naquele momento. Como são superiores as pessoas montadas em fortes argumentos! Só me restou sentar e ficar admirando sua taciturna calma. Era de ficar abismado. Ele falou aquela sentença perfeita sem me olhar, continuou enxugando os copos com o seu maravilhoso pano de prato, sem esboçar qualquer reação que traísse algum espanto: o beiço molhado, a mosca no ombro, a caneta na orelha, o olhar distraído, o furo na camiseta... o imenso umbigo...
Sentei-me novamente, ainda contemplando sua majestade, o Benedito, senhor de todos os destinos itinerantes que por aquela porta entravam. Respirei fundo e, pra demonstrar minha submissão à sua incorruptível autoridade, falei, calmamente:
— Manda mais uma...branca.
Antes que ele se movesse pra pegar a garrafa, Leonora entrou. Ah! Leonora, a filha do Benedito. Quantos anos? 18, 19... sei lá! Pra que saber? Pra soprar longe a paixão, que por si só já tem como destino espalhar-se no vento?
Olhei-me e tive vergonha: uma camiseta azul desbotada mais de um lado que do outro, solta por cima da calça pra esconder o furo no lado do bolso, cabelos desgrenhados, dentes amarelos e um, bem da frente, com o canto quebrado; unhas roídas; alma ruída... e a idade? Porra! Se não sei a idade dela, pra que ela quer saber a minha? Não conto!
Ela passou na minha frente como se eu fosse apenas um monte de ar que bebia cachaça. Encostou no balcão e empinou em minha direção a sua bunda coberta por uma mini-saia branca. Ficou na ponta do pé pra alcançar uma caneta e um papel do outro lado do balcão alto. Ai! Mais um pouco... só mais um pouco... só mais um pouco... Quando ela alcançou a caneta eu havia conseguido deitar na cadeira, de tanto que escorreguei. Quase quebrei o pescoço.
— Amarela! — Falei alto e no impulso, me arrumando na cadeira.
Ela voltou-se rapidamente, baixando a beira da saia, mas eu completei, de imediato, percebendo a rápida transformação no olhar do meigo Benedito:
— Uma amarela, Benedito... agora manda uma A M A R E L A!
Caramba! Eu não gosto de amarela!
A mulata Leonora ficou me olhando por segundos, como se eu houvesse cometido um grave crime olhando a ponta mais proeminente da sua calcinha. Seus cabelos cacheadinhos caiam até o ombro e os olhos verdes lentes de contato faiscavam no meio da tarde dolente. Eu não sabia o que dizer, fiquei petrificado, enquanto esperava que ela me executasse. Depois de um rápido impasse, olhei pra ela e dei de ombros, apontando o copo vazio de cachaça sobre a mesa:
— Uma amarelinha, só pra variar. Você gosta?
— Hammm... Hamm... — rosnou o Benedito, como um cão bravo em cima de um pedaço de carne, quando alguém quer lhe roubar um naco. Ele não permitia gracinha com a Leonora, de nenhum tipo. Botava pra fora do bar mesmo, e isso era muito grave.
— Cadê a amarela o Benê?
Ele bateu com o copo na mesa e espirrou mais um pouco de cachaça.
— Pô! — reclamei, mas sem muita capacidade de argumentação.
Cochichou alguma coisa no ouvido da linda mulatinha, ou melhor, pequena descendente afro-brasileira, que me olhou mais uma vez com um poder de desdenhar que quase me fez desaparecer na cadeira. Saiu rebolando seu corpo preciso pelo meu lado e eu demorei alguns segundos pra perceber a carranca do Benedito.
— Cadê a amarelinha homem?
— Tá na tua frente...
— Ah! É verdade... então manda outra, branca, que essa não é tão boa.
Ele trouxe até a mesa mais uma branca, mas, antes dele tirar a amarela, relutei e segurei a mão que ia levá-la, assim, desamparada, rejeitada. Não! Eu não podia fazer isso:
— Deixa ela... (seu bruto!)
Fiquei olhando pras duas. A cachaça que o Benedito derrubou na mesa fazia um círculo no tampo de fórmica. Coloquei as duas dentro do círculo e me senti um feiticeiro começando a preparar uma poção mágica. Tive a impressão que, rapidamente, espíritos antigos me rodearam e sopraram no meu ouvido velhos segredos, e um arrepio percorreu antes minha alma, depois o corpo. Os dois copos ali, no meio da roda, um claro como a água, o outro amarelo ardente como o fogo. Uma hipnose me roubou do mundo, caíram as paredes e as formas, e viajei no ar sem limites e sem tempo. Meu peito se enchia de uma emoção desconhecida. Viajava num céu muito azul e me aproximava de uma alta montanha, rápido, como uma águia. Fui chegando, bem no topo. O ar era fresco e havia um perfume de jasmim que me invadia.
Passei o topo e caí num vácuo. Fui descendo em queda livre e a escuridão tomou conta de tudo, assim como o frio que me fez tremer e me encolher enquanto caía. Vi o chão chegando rápido e, quando pensei que ia me arrebentar, perdi os sentidos. Não sei a medida do tempo que fiquei sem saber das coisas, mas as coisas foram voltando, aos poucos, aos meus sentidos. Coisas escuras e disformes. O coração parecia bater mil vezes por minuto. Lembrei da última visita do médico no meu quarto, numa das tentativas da família de reverter o quadro, quando ele falou do meu coração que era fraco.
No meio do embaçado vi que alguém se aproximava e fiquei apreensivo. Vinha andando com dificuldade e com a cabeça baixa. Usava uns trapos cobrindo o corpo e pude sentir um cheiro forte de álcool quando chegou perto. Tinha os cabelos desgrenhados e compridos, que não me deixavam ver quem era. Quando ergueu a cabeça, meu peito quase explodiu de dor e medo. Dei um grito e pulei para trás na cadeira:
— Pai!
Só estava o Benedito no bar e ele continuou enxugando os copos sem qualquer reação. Depois de alguns segundos, sem me olhar, falou:
— Começou cedo hoje!
Na minha frente os dois copos vazios, no meio da poça de cachaça da mesa. Eu não lembrava de ter bebido. Quantas já havia tomado? Com as duas, quatro. Muito pouco pra começar os delírios. Estava sentindo um pouco de ânsia e as coisas pareciam se mexer. Coloquei a cabeça entre as mãos e tentei reconstituir o que havia acontecido. Meu pai! Novamente, e péssimo, como sempre. Eu sabia o que era aquilo: era minha mãe! Rezava tanto que começou acontecer isso. Depois que meu pai morreu de porre, não saía mais da igreja.
Meu pai! Será que ele estava assim? Foram anos e anos de bebedeira. O mesmo caminho que eu fazia agora. Olhei para o Benedito esperando encontrar algum consolo para meu desespero, mas aquela alma era impassível a dores alcoólicas. Somente depois de um bom tempo ele falou, mas sem me olhar:
— Você devia parar...
— ... é... você tem razão... vou parar de pensar nisso, senão fico maluco... manda mais uma antes que seja tarde...
— Essa já é a décima...
O reticencioso Benedito. Sempre que falava, ficavam as reticências. Como assim a décima? Só pode estar ficando maluco!
Ele chegou a levantar os olhos, relutou alguns intermináveis instantes, mas depois veio com a garrafa. Era o segundo estágio, ele não trocaria mais os copos. Mesmo assim derrubou um pouco na hora de servir, mas eu estava distante e não me incomodei muito, a não ser na hora que levantei o copo e vi que o movimento fazia ondinhas na roda de cachaça sobre a mesa. Repeti o mesmo gesto várias vezes, muitas vezes, e em cada onda eu navegava cada vez mais longe no tempo: o lago na fazenda, a poça d’água embaixo da calha quando chovia, os barquinhos de papel, os intermináveis barquinhos de papel da minha infância... meu pai fazia os mais lindos barquinhos...
— Porra! Falei que ia parar de pensar nisso.
Um casal de namorados tinha entrado no bar pra comprar cigarros e a moça me olhava sorrindo, como se eu fosse apenas mais um bêbado idiota. Eu não conseguia parar de levantar e abaixar o copo pra fazer ondinhas, por isso não podia deixar de dar razão para ela. Como se nada estivesse acontecendo, numa das vezes que levantei o copo, passei direto do ponto de parada e joguei a branca pra dentro, num gole só. Foi como uma manta de lã me cobrindo do inverno do tempo que ficou pra trás e me roubando para o calor do presente. Retribuí o sorriso da moça, mas o cara me encarou estranho e eu despistei. Ele continuou me encarando. Quando percebi o que tinha feito o Benê já estava virando a quina do balcão com a garrafa na mão. Eu tinha pedido outra!
— Hoje você tá mais rápido, ainda é...
— Pô! Eu já disse que não quero saber que horas são! Bota mais uma aí... qualé! Alguma vez eu já saí desta... desta... casa... sem pagar a conta. Bota aí homem!
Quando terminei de brigar com o Benedito o casal já tinha saído. Fui pegar o copo e fiquei assustado com a imensa poça de cachaça que estava na mesa. Perfeitamente circular. O Benedito ameaçou secar com o pano, mas eu, com uma rapidez e agilidade própria de um herói, segurei seu braço. Não podia conceber aquele líquido que exigiu o suor de tantos trabalhadores ser assim devorado por aquele imundo pano. Não precisei explicar nada, ele entendeu a atrocidade que quase cometeu.
A cachaça derramada parecia um pequeno lago, construído bem no meio da mesa e refletia a lâmpada que ficava sobre a porta de entrada do bar, como se fosse um farol me conduzindo, o náufrago de mim mesmo, para longe dos perigos do dia a dia. Minha visão ficou embaralhada com a lâmpada virando farol e pude sentir uma brisa de mar roçando meu rosto quente. Respirei fundo e virei o leme pra passar ao largo do farol, rumo mar adentro. O cheiro fresco de mar coberto por uma bruma fina me enchia o peito. Do meio da bruma começou a cair uma garoa fina, que logo se transformou em chuva e eriçou o mar. A brisa virou vento, frio e cortante. Meu barco chacoalhava me dando enjôo e eu procurava algum lugar onde me firmar, mas só encontrava cordas soltas. Num balanço mais longo não resisti e vomitei. Em instantes a calmaria virou desespero e vi meu barco se aproximando de uma imensa rocha, onde foi explodir em centenas de pedaços. Caí no vazio e logo lembrei que nunca tinha aprendido a nadar. Fui direto ao fundo e, como um louco, tentava respirar, mas só engolia mais e mais água. Se ainda fosse cachaça!
Tudo ficou escuro e, no exato momento da maior agonia, respirei com toda minha força. Lembro que ainda engoli um gole de água antes de levantar a cabeça e perceber que estava na frente da minha casa, caído na calçada e com a cara pra baixo no meio fio. Havia dado uma daquelas chuvas de verão e a enxurrada ainda estava forte.
Cadê o Benedito! Como é que ele conseguiu ir embora e levar o bar junto?
O Benedito tinha razão, eu precisava parar. Sentado no meio fio e sendo julgado por olhares reclusos atrás de venezianas, senti-me ridículo. Jurei que nunca esqueceria aquela noite, caído na sarjeta, bebendo água da enxurrada. Era o fundo do poço. A roupa toda encharcada, o corpo também, a alma ainda mais. Não dava mais! Decididamente, não dava mais. Precisava parar. Já era noite. Eu devia parar. Sabia o quanto ia ser difícil. Será que eu tomei a cachaça derramada da mesa? É, eu devia parar, mais uma vez, eu devia parar. Seria a última, seria pra valer, e seria difícil, uma batalha diária e desgastante.
Num esforço sobre humano reformulei minha vida, desde os mínimos detalhes. Precisava reconquistar o respeito da família, dos amigos, dos olhos atrás das venezianas. Então recuperei o emprego, mesmo que num cargo inferior, mas não podia reclamar. Não era fácil. Nunca mais bebida!
Pra incentivar ainda mais minha decisão, o destino fez meu caminho cruzar com o da Leonora. Inacreditável! Casamos, com o Barbosa e o Amarildo de padrinhos e tivemos dois pequenos descendentes afro-brasileiros, bem mulatinhos. O próprio Benedito, na sua sapiência, abençoou o casamento. Nunca mais cachaça! Não era fácil, não era nada fácil. Era melhor ir na missa todo domingo para minha mãe parar de rezar tanto. Só água, só refrigerante e, acreditem, leite, muito leite. Realmente, não era fácil. Porém, eu não tinha mais escolha. Era o único futuro que eu poderia ter. Superei a mim mesmo num terreno onde as derrotas eram mais comuns que as vitórias. Venci-me, e, para comemorar a vitória, e para provar pra eu mesmo e pra todo mundo que o meu futuro não era fácil, no outro dia... é, no dia seguinte mesmo. No dia seguinte da noite que acordei na sarjeta bebendo água da chuva, entrei no bar do Benedito, com ares de vitorioso, lá pelas três da tarde, como sempre, e logo gritei pra ele:
— Manda aí, Benê, uma branca, que você não tem idéia o quanto vai ser difícil o futuro que vou enfrentar de amanhã em diante! Só com uma branca pra conseguir!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

REDEFININDO CLASSE SOCIAL


Essa postagem vem meio que na berlinda dos pitis que a Mônica postou no CRÔNICAS URBANAS (isso porque eu bati boca com uma pessoa e fiquei imaginando depois se tinha alguma câmera nos filmando).

Hoje eu tive duas experiências bastante corriqueiras de trânsito, no meu itinerário de quase todos os dias. Eu estava (de carro) numa rua de mão dupla, na fila para virar a direita numa preferencial, esperando que o semáforo dessa preferencial abrisse e o trânsito escoasse. Na minha frente 2 carros, atrás 4, quando um sujeito numa camionete pequena, uma Ford Currier (bem acabada), veio pela contra mão (se alguém da preferencial entrasse ali, dava de frente com ele), ultrapassou todos os demais bem educados que estavam esperando e, na hora que eu ia entrar na preferencial, cortou a minha frente e entrou antes. Me dei bem absoluto. Acontece que o sinal fechou nesse momento e ele ficou com o carro atravessado bem na minha frente, ouvindo um monte de baboseiras que eu falei (movido pela tradicional irritação de que sou tomado quando alguém é mal educado na minha frente). Teve vaia geral e outros protestos, mas o meliante do me dei bem, apenas ria (depois que saímos do local ficou me seguindo e querendo briga, mas aí eu já tinha voltado ao normal).

Pouco depois, na BR 101, um pouco antes de chegar ao pedágio, mas bem pouco antes mesmo, quando eu me dirigia para um dos guichês livres, vi que uma BMW saia de trás de mim para a direita, indo na direção do “sem parar”. Qual a minha surpresa quando ele me fecha e entra na minha frente para pegar o guichê livre, quase me fazendo bater na mureta divisória. Era uma linda e nova BMW e o motorista me dei bem me ignorou por completo. Diante do inusitado quase saí do carro para bater boca, mas logo lembrei das câmeras e da Mônica.

Aparentemente eram duas pessoas de classes econômicas bem diferentes, mas de uma classe social que ainda precisa ser batizada. Eu e minha esposa costumamos chamá-los de fdp (é bem isso mesmo!), porém, isso é genérico demais. Filhos da puta existem em todas as classes. Poderiam ser filhos da vaca, de divinas tetas, que empanturraram seus filhos de toda falta de civilidade possível. FDV, quem sabe uma boa definição! Fico aguardando sugestões.

Nos comentários da postagem do Arthur sobre PROTESTOS INÚTEIS DO MOVIMENTO ECOLÓGICO, discutíamos sobre a importância da cidadania para melhorar o planeta. A relação entre os fatos é intensa. Esse tipo de pessoa me dei bem absoluto, é o mesmo que paga e aceita subornos, e infecta o progresso social de miasmas pegajosos. E o me dei bem absoluto gera filhos me dei bem absolutos. E são esses filhos que estamos deixando para o planeta. Até quando ele agüenta?

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

link-se

estou acrescentando dois novos links no "lugares interessantes pra ir". O CRÔNICAS URBANAS (http://cronicasurbanas.wordpress.com/) e o CÁGADO XADREZ (http://romacof.wordpress.com/). São ótimos. Tenho conversado com muita gente e estimulado a leitura de blogs, assim como a fazer comentários neles. O universo blogueiro vem sendo a melhor maneira de se fugir da vala comum pra onde a internet já vai rolando. São espaços ainda tomados da pureza intencional do seu autor, basta ler e fica na cara qual o interesse nada escondido em cada linha. Não tenho visto lugares cotidianos melhores para abrir e afinar o pensamento também. Alguém acha que isso é fácil encontrar na mídia comum?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

MEMÓRIA DE UM HOMEM

O Arthur pediu pra eu arrumar um jeito de acessar mais fácil as postagens antigas... mas ainda nem deu tempo de ver como se faz, ou se tem jeito de fazer isso no blogspot. Então, na base do jeitinho, republico a postagem que gerou o assunto. Falávamos sobre "nas mãos de quem está a solução dos nossos problemas sociais..."

Quim Então (Quinhentão), Manoel Quintino – 87 anos. Escrivão aposentado por amnésia . Duas vezes prefeito de Ité.

Então... Primeiro eu comecei a esquecer de dar andamento aos processos... depois... depois... não lembro mais muito bem o que aconteceu...Mas lembro bem de algumas coisas e sei que esqueci quase todas as outras.
Então... como? ... pois é, o apelido é disso mesmo...Mas então... É interessante que não esqueci seletivamente coisas que me incomodavam. Eu lembro de muitas alegrias e lembro também do dia que minha esposa me pegou com a Judite, a irmão dela...(reflexão)... é, ser pego com a Judite não dá pra dizer que é uma lembrança ruim... como era gostosa a Judite!... ia lá em casa com aquelas saias plissadas e blusas soltas, sem sutiã... sempre quando Tereza tinha ido no mercado...
- Tereza saiu?Ah! Judite... derrubou molho de tomate na blusa e pediu pra eu ajudar a limpar... sem sutiã... nunca tinha tido nestas mãos carne tão tenra... nem estes lábios jamais beijarão mamilos tão róseos...
Então... Não, Judite já foi um lembrança ruim, no tempo em que eu pensava que ainda teria muitas Judites... só sobrou ela... até porque, se teve outras, acho que esqueci... ou só lembro de vez em quando...Tereza, que me ajudava a lembrar das coisas, morreu ano passado... ano passado? Que ano a gente ta mesmo, heim menino?O que a gente ta fazendo aqui mesmo? Como é....? Gravando uma entrevista... e por que você quer uma entrevista comigo? Eu fui alguém importante e não lembro mais?
Como? 2007... o que é 2007? Ah... ano 2007... Quem? Tereza? Quem é Tereza...?
Eu fui prefeito é?
Então... fui duas vezes prefeito e Tereza era minha esposa... é claro que eu lembro disso... lembro de muita coisa. Mas tem coisa que eu queria esquecer também...É por isso que você ta me entrevistando?
Meu filho, que é prefeito agora, pediu pra eu não dar mais entrevista, disse que eu to falando coisa que não podia... mas é bom ser lembrado... e ninguém acredita muito em velho mesmo...Quem? O quim... o meu neto? É Secretário de Cultura é?
Então... ainda vai ser prefeito...Como? Não tem faculdade?
E quando faculdade dá voto menino? Me diga se faculdade dá voto...quer que eu te conte o que dá voto?
Então... lembra das enchentes? É, faz tempo, mas isso eu lembro...Olha só... isso aqui onde a gente ta hoje era tudo água... muita gente ajudou.. eu vivia aparecendo de calça arregaçada ajudando gente... isso dá voto menino... levava uma criança no colo até um barco... carregava umas caixinhas de remédio no bolso...
E veio muita ajuda de fora, coisa que nem precisava, nem tinha onde guardar direito... ainda bem que meu irmão tinha um galpão. Veio um caminhão daquela fábrica de roupa.. a staroup, isso nunca esqueci... era roupa boa pra essa pobreza... calça, camisa, jaqueta... tudo jeans... ficou lá no galpão, não era bem isso que o povo tava precisando... ficou lá...
Então...(reflexão)Você pode imaginar o que isso deu de voto depois, heim menino? Deu muito voto... muito... e você acha que faculdade dá voto?
Então... faculdade é preciso... mas pra quem auxilia a gente... contador, advogado... esses são importantes mas não valem nada na urna... na urna vale uma carradinha de barro, uma ambulância na porta pra levar pro hospital... uma roupinha...
Então... pra que o Quim ia fazer faculdade? Se fizer é só pra pegar o diploma...Secretário do que ele é mesmo menino? Da cultura... da cultura é ruim, heim... cultura não da voto... tinha que ser da saúde... da educação... da educação dá muito voto menino...
Sabe o que eu fazia com as escolas pequenas da periferia? Eu não mandava giz... mas não era por maldade não menino, era estratégia... Então... daí o diretor ia lá na prefeitura reclamar e eu conversava com ele, na minha sala... Impressionava sabe... daí eu perguntava sobre os professores, de que partido eram, como estavam se comportando... só depois eu dava as caixinhas de giz... tinha todo mundo na rédea curta... bobeasse eu cortava...
Então... A Zizinha foi minha secretária de educação... carregava um monte de voto, aparecia em tudo, não acontecia nada sem que ela soubesse, tava sempre no meio do povo... a oposição falava que eu tinha um caso com ela... era bonita a Zizinha, mas a gente não tinha nada... nada importante, né menino... nada importante... e era fogosa a Zizinha... como era...Que pernas que tinha a Zizinha!
Então...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

conspiração olímpica



Andei pensando. Salutar exercício. E como pensar em tanta coisa que nos chega aos ouvidos pela mídia deprime, andei ficcionando algumas coisas dessas que chegam pela mídia mesmo. Olimpíadas no Rio. Ainda não tenho tutano mental pra julgar se é bom ou ruim. Ou o que é bom ou ruim nisso. Vou ter que ler mais. Mas, no meio desse contexto, lembrei dos nossos bravos atletas apanhados no exame antidoping. Apanhados no treinamento, não foi numa competição. Não lembro de ter visto isso antes, mas minha memória não é tão de confiança. Foram denunciados. Estranho. Onde foi parar o fisiologista que indicou a droga como não sendo doping? Onde estão, na mídia, as declarações dele? Pouco tempo antes da escolha da cidade para 2016. Rio de Janeiro. Por que não se faz uma devassa nas contas desse fisiologista? Por que? Será que eu estou tentando relacionar essa atitude de serieade extrema da nossa pátria esportiva amada com a indicação da cidade sede? Será que estou ficcionando uma fantástica teoria da conspiração? Será que estou querendo dizer que foi tudo armação pra provar a nossa seriedade quanto aos esportes olímpicos, o que dignificaria ainda mais a escolha? Parece que ouvi falar que o fato pesou a favor. Parece. Será? É claro que não. Estou apenas ficcionando. Imagina se iam fazer isso com nossos inocentes atletas. Nunca!!! É só brincadeira gente. Brincadeira, só não sei com quem, mas é brincadeira.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Pensar não dói, ou quase nada...

Faço um convite aos amigos para visitearem o blog PENSAR NÃO DÓI, do Arthur Golgo Lucas. http://arthur.bio.br/ Eu estava navegando pela net e acabei ancorando lá... ótimas idéias sobre assuntos muito pertinentes. Num comentário que fiz no seu blog, convidei-o a ler a matéria "cirurgião dentista ameaça a segurança nacional", aqui do meu blog. Estou tomando a liberdade de publicar aqui o comentário que ele fez. Quem lê-lo aqui já vai experimentando um pouco de seu pensamento.
Mauro:
A CF (Atr. 5° inciso I) diz que homens e mulheres são iguais em direitos e deveres, exceto nos casos previstos na própria CF. Mas as idades para aposentadoria são diferentes, as regras para pagamento de pensão para filhos e para filhas são diferentes, os períodos de licença legal ao ter um filho são diferentes, a obrigatoriedade de serviço militar é diferente e a lei que protege contra a violência doméstica foi redigida para proteger só um sexo. Todos são iguais perante a lei. Mas quem é heterossexual pode casar, adotar uma criança junto com o cônjuge, incluir o cônjuge como dependente em qualquer plano de saúde, na previdência e para efeito de impostos, compor renda para adquirir imóveis, etc., e a quem é homossexual todos estes direitos são negados.
A discriminação racial é crime inafiançável em nosso ordenamento jurídico. Mas discriminar racialmente os postulantes a vagas em instituições de ensino de nível superior e favorecer uma raça em detrimento de todas as demais tem sido praticado abertamente.
E tua achavas que teus direitos fundamentais garantidos na CF estavam hierarquicamente acima das ordens que o miliquinho estava obedecendo? :P Experimenta dizer "não saio daqui porcaria nenhuma, eu estou na frente da minha casa, não estou fazendo nada errado e não tenho que zanzar feito uma barata tonta para me adequar a uma exigência ridícula e ilegal". Tenta. :) Grande abraço!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Para Dentistas... endodontistas


O S... do Senna, da Sadia... da Sacanagem com o endodontista...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

pão e poesia


quase que um só alimento...

e fazer é tão parecido.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

PARECE

As coisas passam pelos meus olhos
Parece
Como sempre passaram
É o mundo que vejo
Como sempre vi
Eu acho
Sem espaço para profundas mudanças
E sinto
As coisas como sempre senti
Parece
Mesmo que a paixão não destrua a alma
Ou o ciúme degenere em mais uma solidão
Mas sinto com sentia
E vejo como via
Eu acho
Porém
Ah! Porém
Os espelhos
As fotos
Os filmes
As roupas
Os versos
Como contam uma história tão diferente de mim...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

REDEL

Você tem certeza?
nota de esclarecimento nada literária

Resumindo:
No dia 08 de agosto, um sábado, a Grasiela comprou um sonhado carro novo. Tirou ele da concessionária as 10h da manhã e, as 14 horas, levou uma batida.
Estávamos estacionados (e dentro do carro) na rua D. Henrique, quase esquina com a Quinta Avenida, em BAlneário Camboriú, quando um carro da REDEL (serviços de internet), estacionado atrás do nosso, saiu imprudentemente para a rua e foi atingido por outro, prensando-o contra o da Grasi. Amassou desde o pára-choque traseiro até o dianteiro. E o carro estava com 38 km rodados.
Tudo bem, acidentes acontecem e, na maioria das vezes por alguma imprudência mesmo. Logo apareceu um outro funcionário da REDEL e, ao ver que a Grasi estava ligando para o seguro dela, nos pediu para que não o fizéssemos, pois ele acionaria o deles e seria melhor. Concordamos, pois isso é o habitual. Só que o dele era o Bradesco Seguros. (quem já lidou com o Bradesco Seguros, com certeza, já se arrepiou).
Na segunda pela manhã ela levou o carro para a Citroen e eu liguei para o gerente da REDEL, ou ao menos o cara que nos falaram ser o gerente, chamado Juliano, avisando que o carro já estava na oficina da agência, esperando o perito do seguro. Ainda expliquei que tínhamos uma viagem marcada, que era pra ser feita com aquele carro (que é mais espaçoso) e pedi para que fossem o mais ágeis possíveis no andamento dos trâmites normais, sendo que o tal Juliano me informou que iriam agilizar ao máximo o processo.
Bem, resumindo: o aviso de sinistro chegou ao seguro da REDEL na quarta-feira, dia 12, as 15:30h. Fiquei impressionado com a competência! Principalmente depois que tive que ir pessoalmente na REDEL e, infelizmente, “entornar o caldo” . Tive que falar grosso com quem não merecia, mero funcionário que o tal de Juliano preferiu que desse a cara pra bater, já que a dele deve ser muito preciosa, tanto quanto infantil.
No dia seguinte, quinta feira, fiquei mais de duas horas tentando informar o seguro Bradesco do sinistro (é, é isso mesmo, eles precisavam que eu também informasse). Passei por 4 atendentes de call center. Enfim, munido de muita paciência, consegui informar a seguradora do carro que bateu no nosso, que estava corretamente estacionado e foi atingido pelo carro segurado, que o nosso foi batido pelo carro que eles seguravam. Entenderam? Pois é, foi mais ou menos assim mesmo...
Resumindo: o perito do Bradesco foi lá na oficina na sexta-feira, dia 13, e, na outra quarta-feira, dia 19, fomos informados que este perito do Bradesco não liberou o serviço. Isso porque o motorista do carro da REDEL não estava habilitado para estar conduzindo o mesmo naquele momento.
Resumindo: A Grasi teve que acionar o seguro dela (felizmente um bom seguro, Allianz, até que se prove o contrário), mas, precisa passar por todo o processo de novo. O serviço na carro de 38 km dela ainda nem começou. A viagem com o carro espaçoso dançou. Estamos no dia 25 (o acidente foi dia 08). Mais nenhum contato da REDEL, como se o caso nem fosse com eles.
Então, resumindo, eu pergunto: você confiaria nessa empresa?
Olha o que está escrito no site deles:
“O que vêm a sua cabeça quando você ouve a palavra Internet? Para muitos, informação, para outros, trabalho, diversão, cultura e conhecimento. Para nós da Redel, a Internet Aproxima Pessoas , como nenhum outro meio de COMUNICAÇÃO, derrubando fronteiras e barreiras, com a liberdade de criar, se expressar e aparecer para o mundo, revelando maravilhas em pessoas comuns”
Que maravilha que revelaram em nós!
De nós eles não se aproximaram. Tiveram uma atitude de moleques, do começo ao fim. Será possível que eles não sabiam que o condutor estava irregular? Acho que se não soubessem, a credibilidade deles cairia ainda mais. Um exemplo claro de incompetência gestacional.
Essa nota desabafo só tem a intenção de alertar e usar o blog para protestar. Se esse é o padrão de procedimentos deles, não é confiável ter Redel em suas casas.
Resumindo: teremos que tomar as medidas necessárias. Caro Juliano, fique só pensando quais serão elas...